15 de abril de 2016


Colisão de helicóptero contra linha de transmissão


Quando eu era o comandante de um Esquadrão de Helicópteros Super Puma da Marinha do Brasil, em 1998, eu colidi contra uma linha de transmissão de 138000 V. Felizmente o impacto foi contra a linha superior, de proteção contra descargas atmosféricas, e não contra uma linha viva, mas este cabo para-raios se enganchou na minha roda de nariz.

Nós voávamos a cerca de 400 pés e a linha cruzava um vale entre duas colinas. Quando eu percebi que estava preso ao cabo, alijei a carga externa (1,5 toneladas de caixotes de munição inerte), que caiu como uma bomba, abrindo uma cratera no terreno abaixo.

Eu tentei quebrar o fio voando para a frente, mas o fio era muito grosso e ele puxou meu nariz para baixo, reduzindo drasticamente a sustentação do rotor, causando uma perda rápida de altura , que eu compensei puxando o nariz para cima. Eu realizei mais duas vezes esta manobra, transformado em um ioiô gigante, até que percebi o que estava acontecendo. A partir desta percepção eu tentei, como alternativa, colocar o fio ao alcance do operador do guincho, a fim de que ele pudesse cortar o fio com o cortador de cabo portátil, mas isto não foi possível. De qualquer forma, isto nunca iria funcionar uma vez que, no solo, precisamos de três pessoas para cortar o fio com o corta-cabos portátil…

Após esses esforços frenéticos para libertar a aeronave, decidi içar o cabo para quebrar sua “catenária”, esperando que o próprio peso do cabo o partisse.

Por incrível que pareça isso funcionou e conseguimos romper o cabo. Apesar de um pedaço de fio pendurado no helicóptero ter tocado uma das linhas de alta tensão, após a ruptura, a energia foi aterrada para uma das torres e fomos capazes de pousar a aeronave em segurança.

Nós tivemos a sorte de sobreviver e contar esta história. Nossa experiência e nosso treinamento salvaram nossas vidas! Vários aspectos sistêmicos que comprometeram o meu processo de decisão foram identificados na investigação que se seguiu: CRM fraco, uso inadequado de procedimentos de escalação de tripulações, excesso de confiança, entre outros.

Hoje passamos estas experiências – que englobam este episódio e alguns outros, da minha experiência pessoal e daquela de outros profissionais selecionados – aos mercados de segurança do trabalho e de voo, tentando ajudar as pessoas a identificar a cadeia do acidente para preveni-los, ministrando cursos de nossa metodologia, chamada APICE.

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